O Credo Apostólico
Deus o Pai
Lição 2
Manuscrito
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Conteúdo
INTRODUçãO 1
DEUS 2
Singularidade 2
Politeísmo 3
Monoteísmo 4
Cristianismo 6
Simplicidade 8
DEUS PAI TODO-PODEROSO 10
Nome 11
Pessoa 12
Paternidade 15
Criador 15
Rei 16
Cabeça da família 18
Poder 19
Ilimitado 20
Inigualável 22
CRIADOR 23
A Obra da Criação 24
A Bondade da Criação 26
Autoridade Sobre a Criação 28
Absoluta 28
Exclusiva 29
Exaustiva 30
CONCLUSÃO 31
INTRODUçãO
Muitas religiões adoram a um ser ao qual denominam como “Deus”. Isto nos leva a uma pergunta interessante: “Eles adoram a um mesmo Deus usando diferentes nomes?”. Ou acaso todos eles adoram a deuses diferentes? A Bíblia explica que apesar de muitas religiões usarem a mesma palavra – “Deus” – elas se referem a diferentes coisas com essa palavra. A Escritura insiste que há um só Deus verdadeiro, o qual é adorado por todos os cristãos. E isso significa que os deuses de outras religiões são impostores, ídolos e falsos deuses. Esta é a razão porque o cristianismo coloca uma forte ênfase em conhecer ao Deus da Bíblia. Ele é o único Deus verdadeiro – o único que tem o poder de criar, destruir e salvar.
Esta é a segunda lição em nossa série O Credo Apostólico e a intitulamos “Deus o Pai”. Nesta lição, nos concentraremos no primeiro artigo de fé no Credo Apostólico. Este artigo afirma a crença na primeira pessoa da Trindade, Deus o Pai.
Como vimos na lição anterior, O Credo Apostólico apareceu em diversas formas durante os primeiros séculos da igreja. Mas, foi padronizado cerca do ano 700 DC em latim. A tradução moderna do credo em português é a seguinte:
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso,
Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
o qual foi concebido por obra do Espírito Santo;
nasceu da virgem Maria;
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
ressurgiu dos mortos ao terceiro dia;
subiu ao Céu;
está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso,
donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na Santa Igreja Universal;
na comunhão dos santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição do corpo;
na vida eterna. Amém.
Você recordará que nestas lições temos dividido O Credo Apostólico em cinco seções principais: As primeiras três seções são sobre as três pessoas de Deus: O Pai, O Filho e o Espírito Santo. A quarta seção é sobre a igreja e a quinta sobre a salvação.
Nesta lição enfocaremos a primeira destas cinco seções que abarca o primeiro artigo de fé do Credo.
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso,
Criador do Céu e da terra.
Há muitas maneiras de dividir os temas mencionados neste artigo de fé. Mas, nesta seção vamos nos concentrar em três temas que tem sido centrais na teologia cristã: a ideia de Deus; a pessoa de Deus Pai Todo-Poderoso, e seu papel como Criador de toda a criação.
Seguindo esses três temas, nossa lição sobre Deus o pai, se dividirá em três partes. Primeiro, mencionaremos a ideia de Deus, observando algumas coisas gerais que a Bíblia ensina acerca de sua existência e natureza. Segundo, nos concentraremos na frase “Pai Todo-Poderoso”, prestando atenção a algumas qualidades distintivas da primeira pessoa da Trindade. Terceiro, exploraremos o papel do Pai como Criador de tudo o que existe. Comecemos com o conceito de Deus que a Bíblia nos apresenta.
DEUS
Nossa crença em Deus é realmente fundamental para nossa crença em todo o resto. Se você pensa numa perspectiva global do mundo, Deus está no centro e tudo é como é devido à sua relação com Ele. Esse pensamento centrado em Deus é uma maneira diferente da forma como usualmente se pensa em nossa cultura, a qual é centrada em si mesma, no “eu”, e como em tudo o mais, incluindo Deus mesmo, se relaciona comigo. Isso é completamente contrário à forma como Deus observa as coisas, como as Escrituras nos revelam. Hoje em dia, no ministério, é muito importante enfrentar a visão centrada no “eu”, que é muito natural em nós, e tratar de ter uma perspectiva global centrada em Deus, ao invés de centrada no “eu”.
- Dr. J. I. Packer
Consideraremos a ideia básica de Deus como é apresentada na Escritura, observando duas coisas: Por um lado, exploraremos o que os teólogos chamam “A singularidade de Deus”, o fato de que Deus é o único Deus que existe. E por outro lado, nos concentraremos na “simplicidade de Deus”, notando que realmente Ele é o único Deus, apesar do fato de que Ele é um Deus em três pessoas. Comecemos com a singularidade de Deus, a doutrina na qual o Deus da Bíblia é o único e verdadeiro Deus.
Singularidade
Enquanto exploramos a singularidade de Deus observaremos primeiramente o Politeísmo que prevaleceu no mundo durante os primeiros séculos da igreja. Segundo, exploraremos o Monoteísmo que afirma a ideia de um Deus único. E terceiro, falaremos do Cristianismo e de seu conceito de Deus. Vamos ao primeiro tema que trata do Politeísmo.
Politeísmo
Politeísmo é a crença na existência de múltiplos deuses – seres com poderes sobrenaturais que controlam o universo. Alguns pensam que estes deuses são seres eternos, seres não criados, enquanto outros pensam que estes deuses nasceram ou foram criados de alguma forma. Nos sistemas politeístas, os deuses se distinguem uns dos outros e, portanto, são únicos, assim como os seres humanos são todos únicos. Mas, no politeísmo nenhum deus pode reclamar ser o único ser sobrenatural que exerce um controle significativo sobre o universo.
Uma forma popular de Politeísmo, chamada Henoteísmo, expressa uma dedicação primária a certo deus, sem, entretanto, negar a existência de outros deuses. Por exemplo, algumas pessoas no Império Romano honravam a Zeus como um ser supremo enquanto sustentavam que havia outros deuses.
No tempo da igreja primitiva, a maioria dos não cristãos era politeísta. Muitos criam nos falsos deuses dos gregos e dos romanos, enquanto outros adoravam aos ídolos do antigo Oriente Médio. Também eram politeístas os que criam nos poderes cósmicos, e alguns adoravam os elementos e outros aspectos da criação. Ateísmo – que é a crença de que não existe nenhum deus – era pouco comum nesses tempos.
Uma razão do porque a crença em vários deuses era tão comum é que o politeísmo muitas vezes foi imposto pela lei. Por exemplo, no império romano o governo forçava a adoração aos deuses romanos. Os romanos pensavam que ao adorar a estes deuses podiam obter o favor e a proteção para o império. Mas, uma razão básica da crença em vários deuses era a pecaminosidade dos seres humanos.
A Bíblia indica que os humanos são propensos a rejeitar ao Deus verdadeiro por falsos deuses. Isto tem a ver com a doutrina bíblica do pecado. Não tem a ver com o fato de que somos criaturas relacionadas com um grande Criador, mas com o fato de que comparadas com Deus somos criaturas pecaminosas. O pecado atua de tal maneira que nos cega à verdade de Deus que Ele mesmo nos tem revelado na criação. Dessa forma, se deixados à própria sorte nós identificamos com Deus ou identificamos como qualidades divinas aquelas coisas que na realidade não são Deus. Em outras palavras nós criaremos deuses em nossa própria imaginação como substitutos da verdade de Deus.
- Dr. David Bauer
Como a Escritura ensina, todas as pessoas sabem, no fundo do coração que o universo não pode chegar a ser como é sem a mão de um criador divino. Mas, em nosso pecado, não podemos de forma natural reconhecer ao verdadeiro Deus e reconhecê-lo como Criador. Ao contrário atribuímos sua obra criadora a outras fontes. Prestemos atenção na forma como Paulo fala acerca disso em Romanos capítulo 1, versículos 20 ao 23:
Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.
Segundo Paulo, a existência do Deus das Escrituras é tão óbvia que todos podem ver claramente e entender. Paulo inclusive foi mais longe ao mencionar que os seres humanos tem conhecimento de Deus através de sua auto-revelação na criação. Mas somos tão pecaminosos que nos recusamos a glorificá-lo e dar-lhe graças. Ao invés disso, mudamos Sua glória por deuses falsos que temos inventado e adorado em Seu lugar.
A Bíblia nos diz que todos os homens, mulheres e crianças conhecem a Deus no profundo de seus corações, de suas mentes e de suas consciências. Romanos capítulo 1 disse que desde que Adão e Eva pecaram, temos mudado no fundo do nosso coração a adoração ao Deus verdadeiro por ídolos ou qualquer outra coisas criada por Deus. Portanto, o coração humano é praticamente uma fábrica, uma fonte ou a raiz de toda idolatria.
Com esta imagem do politeísmo em mente, estamos prontos para explorar o Monoteísmo, a crença de que só existe um Deus.
Monoteísmo
Tecnicamente falando, monoteísmo refere-se a qualquer religião que afirma a crença em um só Deus. Por exemplo, no mundo moderno tanto o Judaísmo, o Cristianismo como o Islamismo são religiões monoteístas porque sustentam que há um só e único ser divino.
Muitas passagens na Escritura afirmam a singularidade de Deus ao explicar explicitamente que só há um Deus único. Prestemos atenção a alguns exemplos. No Primeiro livro dos Reis capítulo 8, versículo 60, Salomão proclamou:
“... o SENHOR é Deus e que não há outro”.
No Salmo 86, versículo 10, Davi cantou ao Senhor:
“...só tu és Deus”.
No Segundo livro dos Reis, capítulo 19, versículo 19, Ezequias orou:
“...só tu és o SENHOR Deus”.
Em Romanos capítulo 3, versículo 30, Paulo afirmou:
“...Deus é um só”.
E Em Tiago capítulo 2, versículo 19, Tiago disse:
“...Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem...”.
Existe só um único ser divino. Isto era certo nos tempos do Antigo Testamento. Era certo nos tempos do Novo Testamento. Também era certo nos primeiros séculos da igreja e segue sendo certo no dia de hoje.
Nós necessitamos observar que nem todas as religiões monoteístas adoram ao mesmo Deus. Como mencionamos, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo adoram a um único Deus. Além disso, eles identificam a este único Deus como o Deus de Abraão, pelo menos de nome. Mas, os conceitos que eles agregam ao nome “Deus de Abraão” são muito diferentes. Eles não estão de acordo, sobre o seu caráter, suas ações divinas, e nem sobre sua própria natureza.
Consideremos o Judaísmo. O Judaísmo baseia sua fé no Antigo Testamento, da mesma forma que os cristãos. Mas negam o Deus trinitário que a Bíblia revela. De fato, os teólogos judeus negam cada uma das pessoas da Trindade. Eles rejeitam a Jesus como Senhor e Deus encarnado. Eles negam que o Espírito Santo seja uma pessoa divina. E ao rejeitar Jesus e ao Espírito Santo, eles negam ao Pai que o enviou. Como Jesus disse de sim mesmo em Lucas capítulo 10, versículo 16:
“....quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou”.
O Judaísmo rejeita a Jesus e ao Espírito Santo e, portanto, também rejeita ao Pai.
O Judaísmo crer que adora a Deus como ele se revela no Antigo Testamento. Isto aponta ao mesmo Antigo Testamento que os cristãos amam e dizem: “adoramos ao mesmo Deus”. Então, superficialmente em certo sentido podemos dizer que adoramos a Deus. Mas há outro sentido no qual o Deus dos judeus é diferente de nosso Deus porque eles rejeitam a revelação total de Deus em Cristo.
E quando nós consideramos o Islamismo é ainda mais claro como seu conceito de Deus contradiz a Bíblia.
Uma pergunta importante é: o que a fé islâmica diz com respeito ao conceito de um único Deus? Eu creio que o Islã afirma um tipo de unidade dentro de Deus, mas o Cristianismo atribui diferentes características e atributos ao Senhor mais do que o Islã o faz. Nós temos a doutrina da redenção e encarnação, e essas são doutrinas importantes, destacam o caráter do Senhor de uma forma clara, fundamental na vida das pessoas. Tanto a redenção como a encarnação estão ausentes do entendimento Mulçumano da unidade de Deus.
- Dr. Riad Kassis Arab
O conceito de Deus no Islamismo na verdade contradiz a Bíblia e uma das maneiras mais significativas pela qual a contradiz é na informação de que Deus é um ser único não diferenciado. No Islamismo pode-se explicar esse termo técnico: Deus é absolutamente um e não há uma comunidade de seres nele. Na teologia cristã há uma absoluta fidelidade ao Monoteísmo, a crença de que só há um único Deus. O primeiro credo que aparece na Bíblia é: “Ouve Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Esta é uma afirmação enfática do monoteísmo que tem sido parte da tradição teológica judaico-cristã desde seus primórdios. Assim, os cristãos são monoteístas. Mas, muitos de nossos amigos islâmicos não acreditam que sejamos monoteístas. Eles pensam que nós somos Tri-teístas. E eles pensam que cremos no Pai, na Mãe, e no Filho, porque Maomé se equivocou no seu entendimento quanto à doutrina cristã a respeito de Deus. Mas a doutrina cristã da Trindade – que menciona que o único Deus existe eternamente em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, e que não são simplesmente diferentes modos de expressão de uma deidade, nem simplesmente três diferentes metáforas de um só Deus, mas que há uma real e substancial comunhão entre as pessoas nesse Deus verdadeiro e único – Esta é uma concepção de Deus radicalmente diferente da que o Islamismo tem.
- Dr. J. Ligon Duncan III
Então, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo são religiões Monoteístas; elas se distinguem do politeísmo porque negam a existência de múltiplos deuses. Mas, elas se distinguem claramente umas das outras devido a suas diferentes doutrinas de quem é Deus.
Depois de observar o Politeísmo e o Monoteísmo, estamos prontos para descrever o conceito de Deus afirmado pelo Cristianismo e ensinado no Credo Apostólico.
Cristianismo
A frase acerca de Deus no Credo Apostólico é muito simples. Declara o seguinte:
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso
Criador do céu e da terra.
Note que o credo não diz, de forma explícita, que há somente um Deus único. Se nos não conhecêssemos a origem do credo, seria possível ler estas palavras como se proclamassem a fé no deus do Judaísmo, ou no deus do Islamismo. Ou, como se afirmássemos um deus entre muitos deuses. Então, como sabemos que o credo está falando acerca do Deus Trino do Cristianismo em contraste com o deus não cristão do monoteísmo ou do politeísmo?
Por um lado, o credo nega o monoteísmo não cristão, através de outras coisas que menciona claramente acerca de Deus. Como vimos na lição anterior, o Credo é organizado em torno da forma trinitária. Ele, então, reflete a crença de Deus Pai, Jesus Cristo seu único Filho e o Espírito Santo, são três pessoas diferentes na deidade, todas compartilhando a mesma essência divina.
Mais uma vez lembramos o credo foi formulado para ser um resumo de crenças, não uma declaração exaustiva da fé. E quando foi usado na liturgia da igreja, todos na igreja sabiam que ao mencionar desta forma as três pessoas da divindade, estava implícita a doutrina da Trindade.
Por outro lado, o Credo Apostólico nega o politeísmo ao fazer uso da forma singular e genérica da Palavra Deus como um nome divino.
A palavra “deus” pode ter muitos significados. Muitas religiões referem-se a suas deidades como “deuses”. A própria Bíblia algumas vezes usa a palavra “deus” para referir-se a coisas como os demônios, ídolos e, às vezes, líderes humanos. Mas estes chamados deuses também chegam a ter nomes próprios. Por exemplo, na religião da antiga Roma, Marte era o deus da guerra, Netuno era o deus do mar, e Júpiter era o líder dos deuses.
Da mesma maneira, o Deus das Escrituras é conhecido por nomes próprios. Muitos desses nomes são descritivos. Por exemplo: El Shadai, que muitas vezes é traduzido como o Deus Todo-Poderoso e que significa que Deus é ou tem todo o poder; El Elion que usualmente se traduz como o Deus Altíssimo, que significa que Deus tem o controle de tudo; e Adonai que geralmente se traduz como Senhor, e que significa Mestre ou Soberano.
Mas, o nome que mais se aproxima ao que nós podemos pensar como o nome próprio de Deus é Yahweh. Em traduções antigas aparece como Jeová. Mas em traduções modernas, geralmente se usa a palavra Senhor, apesar de que seu significado é um pouco diferente de Adonai.
Deus revelou-se a si mesmo usando o nome Yahweh desde o começo da história da humanidade. Por exemplo, os seres humanos usaram este nome para referir-se a Deus desde os dias de Sete, o filho de Adão, como vemos em Gênesis, capítulo 4, versículo 26. Noé se referiu a Deus como Yahweh em Gênesis, capítulo 9, versículo 26. E Abraão chamou Deus por esse nome em Gênesis, capítulo 12, versículo 8. Yahweh é também o nome com o qual Deus se revelou a Moisés em Êxodo, capítulo 3, versículos 13 e 14, onde lemos o seguinte:
Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.
O nome Yahweh se relaciona com a palavra hebraica ehyeh que aqui se traduz como EU SOU. Este é o nome mais íntimo com o qual Deus se revela a seu povo e o que, mais que qualquer outro nome, o distingue dos falsos deuses.
De fato, de todos os nomes com os quais o Senhor é chamado na Escritura, “Deus” é o mais geral. Em nossas traduções modernas do Antigo Testamento, a palavra Deus usualmente é a tradução da palavra hebraica “El” ou “Elohim”. E no Novo Testamento, usualmente é a tradução da palavra “theos”. Porém, nos tempos bíblicos, outras religiões usavam as mesmas palavras para se referir a seus próprios deuses. Então, porque o Credo Apostólico escolheu este termo geral para referir-se a Deus em lugar de um nome mais distinto como Yahweh?
Porque ao usar o termo “Deus” para identificar o Senhor, o Credo Apostólico indica que o Deus do cristianismo é o único que merece ser chamado de Deus. Como podemos ler em 1 de Reis capítulo8, versículo 60:
O Senhor (ou, em hebraico: Yahweh) é Deus... não há outro.
Sim, outras religiões crêem que adoram a deuses reais. Mas, na realidade, eles adoram seres imaginários, ou até demônios – espíritos inferiores criados, que são subjugados pelo Deus do cristianismo. Paulo menciona isto de uma forma clara em 1 Coríntios capítulo 10, versículo 20, que diz:
...que os pagãos sacrificam é oferecido aos demônios e não a Deus.
Os gentios não criam que seus sacrifícios era oferecidos aos demônios; eles criam que seus sacrifícios eram oferecidos a diversos deuses, mas eles estavam equivocados.
Há muitas religiões à parte do cristianismo no mundo atual. Existe o Hinduísmo, Shinto, Paganismo, Wicca, Islamismo, Judaísmo, Religiões tribais e muito mais. Mas, seus deuses são falsos. Algumas dessas religiões adoram a demônios, algumas adoram coisas criadas e algumas adoram ideias de sua própria imaginação. Mas a Bíblia insiste que unicamente o Deus do cristianismo é realmente divino, somente o Deus do cristianismo julgará o mundo, e somente o Deus do cristianismo tem o poder para nos salvar.
Em seu primeiro artigo de fé, o Credo Apostólico chama os novos cristãos a abandonar aos deuses falsos, e reconhecer ao Deus da Escritura como o único e verdadeiro Deus, e este chamado reflete um ensino que é absolutamente essencial na Escritura. A Bíblia ordena a cada pessoa, em cada época, a reconhecer que o Deus do Antigo e Novo Testamento e o único Deus verdadeiro. E ele requer adoração exclusiva.
Agora que já vimos a singularidade de Deus, estamos prontos para focarmos na Sua simplicidade, na unidade de sua natureza ou essência.
Simplicidade
Você recordará que quando nós definimos a doutrina da Trindade na lição anterior, a definimos da seguinte maneira:
Deus em três pessoas, mas um só em essência.
Também mencionamos que o termo pessoa refere-se a uma personalidade consciente de si mesma, e que o termo essência refere-se à natureza fundamental de Deus, ou à substância da qual Ele consiste.
Bem, quando nos falamos da simplicidade de Deus, é sua essência o que temos em mente – sua natureza fundamental, a substância que faz seu ser.
Os teólogos usam os termos simples e simplicidade de uma forma muito técnica. Nós não estamos dizendo que Deus é simples no sentido de que Ele é fácil de entender, ao contrário, nós dizemos que Sua essência não é algo composto de diferentes substâncias: mas que, que é um todo unificado consistente de uma só substância.
Nós podemos ilustrar a ideia da simplicidade ao comparar água pura com barro. Por um lado, a água pode ser vista como uma substancia simples. Está composta inteiramente por água e nada mais. Mas se adicionarmos terra à água pura, ela se transforma em lodo. O lodo é uma substância complexa pelo fato de que é composto de dois ingredientes: água e terra.
A essência de Deus é como a água pura: está composta unicamente de uma só substância. Por que isto é importante? Por que o cristianismo enfatiza que Deus é simples e que não está composto de diferentes substâncias? Para responder a estas perguntas, observemos novamente a doutrina da Trindade. A doutrina da Trindade é definida como:
Deus em três pessoas, mas um só em essência.
O ponto central na doutrina da Trindade é a distinção entre pessoa e essência. Deus é um em essência e três pessoas. Poderíamos dizer que Deus é um “QUE” e três “QUEM’s”.
- Dr. Keith Johnson
Assim como a Bíblia afirma que Deus é três pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – também afirma que há somente um Deus único. Nos primórdios da igreja, os teólogos determinaram que uma maneira útil de falar acerca do ser único de Deus era falando em termos de sua essência ou substância. Quando eles disseram que Deus tem uma simples, unificada essência, eles negaram que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fossem três deuses separados que de alguma maneira se uniram na Trindade. Ao contrário, eles afirmaram que estas três pessoas sempre haviam existido como um só Deus.
Neste sentido, a igreja estabeleceu, de uma forma clara, que os cristãos não crêem em três deuses, como foram muitas vezes acusados por outras religiões. Ao contrário, os cristãos crêem em um só e único Deus – um ser divino – que existe em três pessoas.
Muitas vezes em conversa com Mulçumanos eles mencionam que o ponto de vista cristão da Trindade é uma afirmação de três deuses ou triteísmo. Ninguém na história da igreja afirmou isso, dado o fato de que junto com a afirmação de que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, está a afirmação desde Gênesis até Apocalipse de que Deus é um. Há um Deus vivo e verdadeiro. A única maneira pela qual nós podemos entender a completa revelação de Deus é dizendo que há um Deus e não há outro: o Pai, o Filho e o Espírito são uma deidade. A linguagem da igreja é que eles subsistem nesta deidade como três pessoas e esta é a razão pela qual nós afirmamos que não há três deuses. Um Deus em três pessoas, como ensina a Escritura, é a afirmação da igreja e dessa forma, se distingue da forma de pensar de outras correntes teológicas.
- Dr. Stephen Wellum
Esta ideia foi estabelecida de forma explícita em outro credo antigo – O Credo Niceno – o qual diz:
Jesus Cristo, Filho de Deus... [é] da mesma natureza do Pai.
Dado que o Credo Apostólico é mais básico que o Credo Niceno, ele não menciona este detalhe de forma explícita. Entretanto, a ideia está implícita quando se afirma que nós cremos em um único Deus que existe em três pessoas.
O fato de que os cristãos crêem em um só Deus em três pessoas tem inumeráveis implicações para a vida cristã. Por exemplo, a adoração cristã tradicional sempre foi completamente trinitariana: nós adoramos as três pessoas da Trindade e oferecemos canções de louvor, e orações de petição para cada uma delas. Negar a uma pessoa da Trindade em favor de outra, é negar ao próprio Deus. Nós devemos honra, serviço e amor ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelo fato de que eles são um só Deus.
Havendo mencionado o conceito básico cristão de Deus e a natureza de sua existência, estamos prontos para focar na frase Deus Pai Todo-poderoso, observando os distintos ensinos que a Bíblia nos dá acerca de Deus o Pai, a primeira pessoa da Trindade.
DEUS PAI TODO-PODEROSO
Nosso estudo acerca do Pai Todo-poderoso se dividirá em quatro partes. Primeiro observaremos a forma como o nome “Pai” é usado na Escritura referindo-se a Deus. Segundo, consideraremos a pessoa de Deus Pai em termos da Trindade. Terceiro, exploraremos a natureza da sua paternidade, o papel que ele tem como Pai. E quarto, estudaremos seu poder. Consideremos primeiro como o nome “Pai” na Escritura ao referir-se a Deus.
Nome
A Bíblia usa o termo “Pai” de três maneiras distintas. Primeiro é usado para referir-se a Deus como o Criador de todas as coisas. Um exemplo que o Novo Testamento usa nesse sentido, seria 1 Coríntios capítulo 8 versículo 6, onde Paulo identifica o Pai como a pessoa da qual procedem todas as coisas. É importante reconhecer que nem todas as referências bíblicas que falam de Deus como o Pai Criador se referem à primeira pessoa da Trindade. Um segundo uso do termo “Pai” denota a relação que os crentes têm com Deus como resultado de sua adoção como filhos. Quando Paulo menciona em Romanos capítulo 8, versículo 15 que nós recebemos o espírito de adoção pelo qual clamamos a Deus ABBA, PAI, Paulo está usando o termo Pai no sentido de adoção. Finalmente, o termo “Pai” é usado para notar a relação única que existe entre Jesus Cristo e Seu Pai. Podemos resumir este três usos da palavra Pai, ao dizer que o primeiro fala de Deus como Criador, o segundo fala de Deus como Redentor e o terceiro fala especificamente da pessoa do Pai em relação com o Filho.
- Dr. Keith Johnson
Desafortunadamente, alguns cristãos pensam erroneamente que cada vez que a Bíblia usa o termo “Pai”, está falando da primeira pessoa da Trindade. Mas a doutrina da Trindade não se revela claramente senão no Novo Testamento. Há indícios aqui e ali no Antigo Testamento que pode indicar um certo conhecimento da pluralidade na deidade. Mas, o Antigo Testamento dá grande ênfase na unidade de Deus.
Assim, quando Deus é chamado “Pai” no Antigo Testamento, a referência é à toda Trindade, não só a uma pessoa. Porém, em certo sentido, o uso da palavra “Pai” enfatiza a pessoa do Pai. Mas é importante lembrar que antes da clara revelação das três pessoas da Trindade no Novo Testamento, todos os termos utilizados por Deus, incluindo o nome de “Pai”, se aplicam em alguma medida a toda a Trindade. O termo “Pai” se refere à toda a deidade em passagens como Deuteronômio, capítulo 32, versículo 6; e o capítulo 63 de Isaías, versículo 16; e o capítulo 64, versículo 8. Como ilustração, vejamos um só exemplo deste uso de “Pai” no Antigo Testamento. Em Malaquias, capítulo 2, versículo 10, o profeta faz estas perguntas:
Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus?
Aqui, a deidade inteira – incluindo o Pai, Filho e Espírito Santo – é mencionada como Pai, porque a deidade inteira participou da criação da humanidade. O Novo Testamento deixa claro que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, cada um, teve um papel um tanto diferente. Mas, esta passagem do Antigo Testamento não faz essas distinções entre as pessoas de Deus. Pelo contrário, atribui o nome de “Pai” às três pessoas coletivamente por seu papel na criação.
Para complicar mais as coisas, no Antigo Testamento havia momentos nos quais se fazia referência à toda Trindade como Pai em um sentido geral, como é mostrado pelos escritores do Novo Testamento. Por exemplo, em passagens como Mateus capítulo 5, versículo 45; e também no capítulo 6, versículo 6 a 18; e Atos, capítulo 17 versículo 24 a 29. Toda a Trindade é chamada “Pai” por uma variedade de razões. Às vezes é porque a deidade inteira participou na criação do mundo. Em outras ocasiões deve-se a que as três pessoas de Deus são a norma ética à qual devemos nos conformar. Uma vez mais, vamos considerar um só versículo como ilustração. Em Tiago, capítulo 1, versículo 17 podemos ler estas palavras.
Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes...
Antes deste versículo, Tiago argumentou que o caráter de Deus é eticamente puro. Portanto, seu ponto aqui é que todo o que vem de Deus é bom, e todo o bem vez de Deus. Já que as coisas boas vêm de todas as pessoas de nosso Deus Trino, intérpretes cristãos, muitas vezes, vêem isso como uma referência à toda Trindade. De novo, como no Antigo Testamento, é razoável ver uma ênfase na pessoa do Pai. Mas é importante afirmar que o Filho e o Espírito Santo também proporcionam boas dádivas para nós.
No entanto, também é evidente que a Escritura usa a palavra Pai, em outro sentido para referir-se a uma pessoa da Trindade que é distinta do Filho e do Espírito Santo. Isto o vemos em João capítulo 1, versículos 14 e 18; João capítulo 5, versículos 17 a 26; Gálatas, capitulo 4, versículo 6; 2 Pedro capítulo 1, versículo 17. Vejamos só dois exemplos para ilustrar esse ponto. Em 2 João 9, o apóstolo distingue o Pai e do Filho quando escreve estas palavras:
Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho.
E em João, capítulo 14, versículos 16-17 Jesus distingue o Pai do Espírito quando deu aos apóstolos essa promessa:
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade...
Agora que já vimos como o nome “Pai” é usado nas Escrituras para indicar a divindade inteira, bem como a primeira pessoa da Trindade, estamos em posição de ver a pessoa de Deus, o Pai, em distinção com as outras pessoas da Trindade.
Pessoa
A associação do Pai com o Filho e o Espírito Santo pode ser descrita de inumeráveis maneiras, mas na história da teologia, duas perspectivas particulares sobre a trindade estão em primeiro plano. Especificamente, tem sido comum falar em termos da Trindade ontológica e a Trindade econômica. Estes dois enfoques falam da mesma Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. No entanto, dão ênfase a diferentes aspectos da relação entre as três pessoas da divindade.
Por um lado, tem sido comum falar da Trindade ontológica quando nos concentramos no ser de Deus. A palavra ontológica significa: relacionado ao ser. Assim, quando falamos da trindade ontológica estamos vendo a Trindade em termos do ser ou da essência. Estamos considerando como as três pessoas da Trindade se integram entre si, e como compartilham uma só essência.
Da perspectiva da ontologia, as três pessoas de Deus são infinitas, eternas e imutáveis. E cada uma das pessoas tem os mesmos atributos divinos essenciais, como a sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
Por outro lado, normalmente dizemos que estamos falando da Trindade econômica quando consideramos como as pessoas de Deus interagem entre elas, como se relacionam entre si, como pessoas individuais. A palavra econômica significa relação com a administração do lar. Portanto, quando falamos dos aspectos econômicos da Trindade, estamos descrevendo como o Pai, o Filho e o Espírito Santo se relacionam entre si como personalidades individuais distintas.
Quando olhamos a Trindade do ponto de vista econômico, cada pessoa tem diferentes responsabilidades, um nível diferente de autoridade, e um papel diferente com tarefas a realizar. O Pai, Filho e Espírito Santo participam em conversações. Eles fazem acordos. Eles atuam entre si. E interagem de muitas maneiras.
De ambas as perspectivas, ontológica e econômica, diz-se que o Pai é a primeira pessoa. O Pai é chamado de a primeira pessoa da Trindade ontológica porque nos é dito que o Filho é gerado pelo Pai e que o Espírito Santo procede do Pai. Escutemos as palavras de João na 1 de João, capítulo 4, versículo 9, a respeito de gerar o Filho:
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele.
A palavra Unigênito vem da palavra grega “monogenes” e é traduzida freqüentemente como único. Lamentavelmente, algumas pessoas na igreja primitiva pensaram que isto significava que o Filho foi criado e não era plenamente divino. Inclusive hoje em dia, alguns negam a divindade do Filho, porque é chamado “gerado”. Para combater esse falso ensino, os cristãos tradicionalmente têm afirmado que o Filho é eternamente gerado ou eternamente formado pelo Pai. Estes termos enfatizam que não houve tempo em que o Filho não existisse. Escutemos a maneira que Jesus falou da procedência do Espírito Santo em João capítulo 15, versículo 26:
Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;
A frase é traduzida do grego ekporeuomai, e freqüentemente é interpretada como proceder. Tradicionalmente esse versículo é entendido como uma referência à fonte da existência do Espírito Santo.
Desafortunadamente, passagens como esta tem levado alguns cristãos a concluir erroneamente que o Espírito Santo não é eterno ou divino em sua totalidade. Assim, a teologia cristã tradicional tem tido o cuidado de insistir no fato de que o Espírito Santo é um membro da Trindade, e que é totalmente divino, apesar de que sua personalidade procede eternamente do Pai.
Além de ser a primeira pessoa da Trindade ontológica, o Pai também é chamado a primeira pessoa da Trindade econômica. Do ponto de vista econômico, dizemos que o Pai é a “primeira pessoa”, porque ele tem autoridade sobre as outras duas pessoas, da mesma forma que um pai humano tem autoridade sobre seu lar.
Vemos a autoridade do Pai sobre o Filho de muitas maneiras. Por exemplo, o Filho faz a vontade do Pai, como vemos em João capítulo 6, versículo 40. E o Filho recebe sua autoridade e reinado do Pai, de acordo com passagens como Efésios capítulo 1, versículos 20 a 22. De fato, a Escritura nos diz repetidas vezes que o reinado do Filho é subordinado ao reinado do Pai. Vemos isto na ideia de que Jesus se senta com freqüência à destra de Deus, ou seja, à direita do trono de Deus, como no Salmo 110, versículo 1 e Hebreus capítulo 1, versículo 3. A destra de Deus é um lugar de honra e poder – mas não é o trono em si mesmo. E, em última instância, o Filho entregará seu reino ao Pai, como ensina Paulo em 1 Coríntios capítulo 15, versículo 24. Em resumo, na Trindade econômica, o Pai tem autoridade sobre o Filho.
A questão da relação entre o Pai e o Filho e o exercício de toda autoridade é complexa. Mas, na realidade tem a ver com a distinção entre as funções que o Pai e o Filho têm na Trindade. E o fato de que em seu papel, o Filho voluntariamente se submete ao Pai. Ele veio à terra para submeter-se à vontade do Pai, e o Pai exerce toda a autoridade. Mas, ao mesmo tempo, esta é uma relação de amor, em que o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai e buscam agradarem-se e honrarem-se um ao outro dentro da Trindade. Portanto, necessitamos separar um pouco, a diferença entre os papéis que desempenham e a relação de amor que eles desfrutam.
- Dr. Simon Vibert
Do mesmo modo, o Pai tem autoridade sobre o Espírito. Por exemplo, freqüentemente vemos que o Pai é quem envia o Espírito, como em Lucas, capítulo 11, versículo 13 e Efésios capítulo 1, versículo 17. Sabemos também que foi o Pai quem concedeu o Espírito Santo ao Filho em Atos capítulo 10, versículo 38. Ao longo das Escrituras vemos que o Espírito Santo é o agente do Pai no mundo, sendo instruído pelo Pai para cumprir a sua vontade. No âmbito da Trindade econômica, o pai tem autoridade sobre o Espírito Santo, tal como tem autoridade sobre o Filho.
A autoridade do Pai é sempre uma autoridade de amor. A autoridade do Pai é uma autoridade que ama ao Filho, deseja que o Filho seja glorificado, assim como o Filho deseja que o Pai seja glorificado. E, por último, se Pai, Filho e Espírito Santo, compartilham um coração de amor, então a ideia de que haja um desacordo de vontades entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo se torna em algo cômico. Porque se o Filho e o Espírito Santo anelam eternamente fazer a vontade do Pai e o Pai eternamente anela glorificar e honrar ao Filho e ao Espírito, então essencialmente na vida de Deus há uma unanimidade da vontade, uma unanimidade de amor, uma unanimidade de está nesta comunhão da Trindade.
- Dr. Steve Blakemore
Com esta compreensão de como o nome “Pai” e utilizado na Escritura e da pessoa de Deus, o Pai, estamos prontos para estudar a natureza de sua paternidade sobre a criação e a humanidade.
Paternidade
Antes de descrever a paternidade de Deus em detalhes, devemos fazer uma pausa para sinalizar que um grande número de passagens que falam da paternidade de Deus vem do Antigo Testamento, antes de Deus revelar claramente sua natureza trina. Nestas passagens, a palavra “Pai” se refere em primeiro lugar a toda a Trindade e não só à pessoa do Pai.
Não obstante, o Novo Testamento associa a paternidade de Deus, sobretudo com a pessoa do Pai. Portanto, é legítimo ver nestes textos do Antigo Testamento uma ênfase na pessoa do Pai.
A paternidade de Deus tem muitos aspectos que poderíamos discutir. Mas, nos concentraremos em três das ideias mais proeminentes das Escrituras. Em primeiro lugar, vamos considerar o papel do Pai como Criador. Em segundo lugar, vamos ver sua paternidade em termos de sua posição como Rei sobre sua criação e as pessoas. E em terceiro lugar, nos concentraremos na ideia de que o Pai é o Cabeça do Lar sobre seu povo. Começaremos explorando o papel do Criador como um aspecto de sua paternidade.
Criador
No sentido mais amplo, a Escritura às vezes se refere a Deus como o pai de tudo o que é criado. Por exemplo, encontramos isso em passagens como Deuteronômio, capítulo 32, versículo 6; Isaías capítulo 43, versículo 6 e 7, e capítulo 64 versículo 8; Malaquias capítulo 2, versículo 10, e Lucas capítulo 3, versículo 38. A título de exemplo, escutemos as palavras de Paulo aos atenienses em atos capítulo 17, versículos 26 a 28:
de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.
Aqui Paulo cita aos poetas pagãos Cleantes e Arato, que tinham dito que Zeus era o Pai dos seres humanos porque os havia criado. É claro que Paulo insistiu que o Deus da Bíblia foi o verdadeiro criador, e não Zeus. Mas, Paulo também afirmou que a ideia de criar algo é o mesmo que ser seu Pai.
A Bíblia foi escrita na linguagem humana. Nossa relação com Deus como Criador é expressa, geralmente, em termos da relação entre um pai e seus filhos. Neste contexto, a paternidade de Deus representa nossa origem e sua autoridade.
- Dr. Paul Chang
Assim como os pais humanos são pacientes com seus filhos, a paternidade de Deus em geral sobre a criação, o motiva a demonstrar grande paciência com nosso mundo caído, e com a humanidade pecadora em particular. Isto não significa que Ele sempre reterá seu juízo contra a criação. Mas, ajuda a explicar porque Ele é tardio para a ira e rápido para mostrar misericórdia. Como lemos no Salmo 145, versículos 8 e 9:
Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras.
Depois de examinar o papel de Deus como Criador, agora estamos prontos para ver como seu papel de Rei se relaciona com sua paternidade.
Rei
No antigo Oriente Próximo era comum as pessoas se referirem aos reis humanos como seus pais, e os reis se referirem a seus povos como seus filhos. Esta linguagem também é refletida, muitas vezes, nas Escrituras. Por exemplo, os israelitas se referem a Davi como seu pai porque havia sido seu rei. É claro que alguns dos israelitas eram descendentes diretos de Davi, pelo que ele foi seu antepassado num sentido literal. Mas, quando a nação em seu conjunto se refere a Davi como seu pai, significava que ele era seu rei. Escutemos a Marcos, capítulo 11, versículo 10, onde a multidão gritou desta maneira:
Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana, nas maiores alturas!
Aqui a paternidade de Davi sobre Israel está explicitamente relacionada com seu reinado. Do mesmo modo, em Atos capítulo 4, versículos 25 e 26, a igreja louva a Deus com estas palavras:
...que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido.
Mais uma vez, Davi foi chamado de pai de Israel, porque era o Ungido do Senhor, o Rei que estava sentado no trono do Senhor e conduziu a Israel na batalha contra as nações inimigas. Mas, porque os antigos se referem aos reis como seus pais?
Os reis no mundo antigo eram chamados de “pais” porque eles próprios agiam como paternalistas – ou seja, se ocupava de sua gente, cuidando de suas necessidades, protegendo-lhes e esse tipo de coisas. Na realidade, a maior parte disso foi só propaganda porque os reis no mundo antigo, normalmente serviam a eles próprios em lugar de servir a seu povo. Mas, ao mesmo tempo quando Deus se revelou a Israel utilizou essa forma comum de pensar nos reis como pais. No caso de Deus como nosso pai, nosso pai real, nosso pai imperial, isso não é propaganda, é verdade. Deus cuida de nós. Ele prover para nós. Ele nos protege como o faria um pai. Assim, Ele é o pai de todo Seu império, o pai de Seu reino.
- Dr. Richard Pratt, Jr.
E da mesma forma que os reis foram chamados pais de suas nações, Deus foi chamado “Pai” porque ele era o grande Rei que governou sobre todos os reis do mundo, e porque ele governou diretamente sobre seu povo escolhido, a nação de Israel. Escutemos a forma como Isaías capítulo 63, versículo 15 e 16 falam da paternidade do Senhor:
Atenta do céu e olha da tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu coração e as tuas misericórdias se detêm para comigo! Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade.
Aqui se reconhece Deus como o Pai porque se senta em sua morada celestial, governando sobre toda a criação em geral, e sobre Israel e Judá de uma maneira especial. Especificamente, a súplica é para o Rei divino dirigir seus exércitos à batalha, para redimir seu povo ao derrotar seus inimigos.
Saber que nosso Rei divino de preocupa conosco da mesma maneira que um pai cuida de seus filhos deve nos dá uma grande confiança e consolo. Por nossa conta, não somos capazes de nos opor aos males deste mundo. Mas nosso Rei divino nos ama como um pai e facilmente nos ajuda.
De fato, esta é uma das ideias que Jesus ensinou na oração do Pai nosso quando instruiu seus discípulos a orar o Pai nosso que está nos céus. Nesta petição de oração, Deus é reconhecido como nosso Pai no céu. E através de toda a Bíblia, a imagem do céu é a mesma: é a habitação do trono de Deus, o lugar onde ele se senta e governa como Rei. Por isso, quando Jesus disse a seus discípulos que oraram o “Pai nosso que estás nos céus”, queria dizer que oraram a Deus como seu Pai real, o Rei divino entronizado no céu. Nossa confiança de que Deus nos dará nosso pão diário, perdoará nossos pecados, não nos deixará cair em tentação, e nos livrará do mal, se baseia no fato de que como nosso Rei amoroso, tem tanto o poder quanto o desejo de fazer essas coisas.
Com esta compreensão de Deus como Criador e Rei em mente, estamos prontos a considerar Seu papel como Cabeça do lar, como um aspecto de sua paternidade.
Cabeça da família
Uma das coisas mais interessantes para mim é que a teologia sempre tem implicações pastorais. O que cremos afeta o tipo de pessoas em que nos convertemos, e isto é certo com respeito a Deus, o Pai. Creio que isto funciona em dois sentidos para aqueles de nós que tivemos bons pais, e para aqueles que não tiveram. Tenho a sorte de haver tido um bom pai, pelo que nunca foi difícil para mim, pensar em Deus como meu Pai Celestial. Todas as coisas que me pai me disse, e fez por mim, e a forma como nos relacionamos entre nós – foi muito, muito importante – trouxe um sentido de Deus, o Pai, muito positivo para mim. Mas com os anos tenho conhecido e trabalhado com pessoas para quem o idioma da paternidade foi muito negativo, muito difícil. Recordo de um dia, trabalhando com uma de minhas alunas, que disse: “Deus é para mim o pai que nunca tive”. E, por isso, creio que quando exploramos a paternidade de Deus, ainda mesmo no lugar mais deficiente, começamos a aprender que o coração de Deus é um coração que está disposto para nós, tenhamos ou não tido essa experiência com nossos pais terrenos.
- Dr. Steve Harper
Todo mundo está familiarizado com o conceito de cabeça do lar. Em geral, se trata de um pai, avô ou outro familiar que dirige e toma decisões importantes para a família ou para o lar. Pois bem, as Escrituras, geralmente, descrevem a relação de Deus com seu povo nestes mesmos termos.
Às vezes no Antigo Testamento, vislumbramos a Deus como cabeça do lar da raça humana. Por exemplo, em Gênesis capítulo 5, versículos 1 a 13, Moisés descreveu a relação de Deus com Adão da mesma maneira que descreve a relação de Adão com seu filho Sete.
Muitas vezes no Antigo Testamento, Deus é apresentado como o cabeça do lar da nação de Israel. Vemos isto no cuidado que tem para seu povo em passagens como Deuteronômio, capítulo 1, versículo 31, Salmo 103, versículo 13 e Provérbios, capítulo 3, versículo 12. Como exemplo, consideremos as palavras do Senhor em Oséias, capítulo 11, versículo 1:
Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.
Aqui o Senhor se apresentou como um pai que havia amado a nação de Israel desde sua infância. Também encontramos Deus sendo descrito como cabeça do lar de Israel em Números, capítulo 12, versículo 7, onde o Senhor se refere a Moisés desta maneira:
Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa.
A palavra traduzida por casa é o termo hebraico Bayit. É a palavra que se referia não só a um edifício doméstico, mas também às pessoas que viviam no edifício. Aqui, Moisés é descrito como um filho ou um servidor que governa sobre o povo e as possessões do cabeça do lar, o que implica que Deus é o cabeça do lar da nação de Israel.
É claro que a descrição de Deus como o cabeça da casa de seu povo também continuou no Novo Testamento. Em Mateus, capítulo 7, versículos 9 a 11, e Lucas, capítulo 11, versículos 12 e 13, assim como em 1 João, capítulo 2, versículos 29 e, capítulo 3, versículo 1, aprendemos que o Pai nos ama porque temos nascido em sua família. E em Hebreus capítulo 12, versículos 5 a 10 lemos que o Senhor nos disciplina para nosso próprio bem da mesma maneira que um pai humano disciplina a seus filhos. E em passagens como 1 Timóteo, capítulo 3, versículo 15 e de 1 Pedro, capítulo 4, versículo 17, a igreja é chamada de casa e família de Deus.
Há enormes implicações pastorais na paternidade de Deus. Uma das coisas que vemos imediatamente é Deus como Pai. É um aspecto importante de como Deus é Pai, como Deus é nas Escrituras. Podemos ver imediatamente que a família é muito importante para Deus. Em Deuteronômio capítulo 6, quando o Senhor disse: “escutem, é dessa forma que vou perpetuar a lei e o amor de Deus, através das famílias, através da interação de pais e mães como casais, e como eles se relacionam com seus filhos. Tremendas coisas sucedem nesta interação. A família é extremamente importante para Deus. Os pais são indispensáveis para a família. A implicação pastoral pode ser vista ao redor de todo o mundo: quando os pais são fortes, suas culturas são fortes. Quando os pais são débeis dentro de sua cultura, debilita-se a dinâmica cultural e isto não se pode ser substituído pela mãe. Precisamos de mães fortes sem dúvida, mas os pais são absolutamente fundamentais e uma das coisas que vemos na paternidade de Deus é essa mesma dinâmica. Quando se tem uma paternidade fraca, o abuso é incrementado, há falta de educação, a delinqüência aumenta. Toda esta disfunção da cultura acontece quando se tem um conceito débil da paternidade e quando se tem um conceito débil de Deus como Pai.
- Dr. Matt Friedeman
Agora que já exploramos o nome, a pessoa e a paternidade do Pai Todo-Poderoso, estamos prontos para investigar seu poder ilimitado para cumprir sua vontade.
Poder
Vamos dar mais uma olhada no primeiro artigo de fé do Credo Apostólico. Diz assim:
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra.
Quando o Credo Apostólico diz que Deus é o Pai Todo-Poderoso, significa que tem poder ilimitado e inigualável. Em termos teológicos tradicionais, o poder de Deus é descrito como sua Onipotência, da raiz omni, que significa, todo, e da palavra potencia, que significa poder.
O poder do Pai é ilimitado porque tem a força e a capacidade de executar o que deseja. E é inigualável porque é o único que possui esse tipo de poder.
Vamos considerar dois aspectos do poder do Pai que acabamos de mencionar: o fato de que é ilimitado, e o fato de que é inigualável. Comecemos com a natureza de seu poder ilimitado.
Ilimitado
A Escritura descreve o Pai como aquele que tem o poder de fazer qualquer coisa que queira. E demonstra seu poder ilimitado de muitas maneiras diferentes. Fala dele como o que tem poder de criar ou destruir o universo. Diz que Ele tem o poder de controlar o clima, derrotar seus inimigos na batalha, reger e controlar os governos humanos, realizar grandes milagres e salvar seu povo. Ouçamos como o profeta Jeremias descreve ao Senhor em Jeremias, capítulo 10, versículos 10 a 16:
Mas o SENHOR é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação... O SENHOR fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus. Fazendo ele ribombar o trovão, logo há tumulto de águas no céu, e sobem os vapores das extremidades da terra; ele cria os relâmpagos para a chuva e dos seus depósitos faz sair o vento... Porque ele é o Criador de todas as coisas, e Israel é a tribo da sua herança; SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
Deus, em última instância, controla cada aspecto da criação. Ele tem o poder para fazer aquilo que lhe agrada. Em Isaías, capítulo 46, versículos 10 e 11, o Senhor próprio resumiu seu poder desta maneira:
...o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade... Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.
A onipotência de Deus é um bom lembrete para nós como crentes que quando o mundo parece está fora de controle, quando sentimos que está em caos, não o está. Deus não pode ser obrigado por outra fonte ou poder superior ao seu. Qualquer coisa que o mundo possa parecer, não está fora de controle, Deus é soberano, podemos ter confiança de que ele não foi dominado, e nos dá forças para caminhar com fé em momentos que parecem obscuros a partir de nossa perspectiva limitada. Quando não vemos tudo o que Deus vê, é bom saber que ninguém pode arrebatar de Deus seu controle ou seu poder. O que vem a mim, o que está sendo levado a cabo na minha vida, está debaixo da autoridade da mão amorosa de Deus. E posso ter a confiança, inclusive quando não posso explicar minha situação, de que conheço ao Deus que me sustenta, e que ele caminha comigo através disso.
- Dr. Robert Lister G.
Ao longo da Bíblia, a Escritura comumente aponta para a redenção do povo de Deus como demonstração ideal de seu poder. No Antigo Testamento, com freqüência lemos que Ele demonstrou seu poder no Êxodo quando feriu aos egípcios com pragas, libertou os israelitas da escravidão, os sustentou com comida do céu durante quarenta anos no deserto, e lhes deu a conquista da terra prometida. Na mente do antigo Israel, o Êxodo foi o melhor exemplo do poder redentor de Deus que eles conheceram.
Encontramos referências ao poder de Deus no Êxodo através dos livros da Lei, em passagens como Êxodo capítulo 14, versículo 31; Número capítulo 14, versículo 13; e Deuteronômio, capítulo 19, versículos 26 a 29. Também vemos este tema em qualquer outra parte do Antigo Testamento. O encontramos nos livros históricos em 2 Reis, capítulo 17, versículo 36; nos livros poéticos em lugares como Salmo 66, versículos 3 a 6, e nos livros proféticos em lugares como Isaías 63, versículo 12.
Isto, porém, não quer dizer que os antigos israelitas fizeram pouco caso da grandeza da redenção espiritual que receberam pela graça mediante a fé em nosso Senhor. É perfeitamente válido para eles dizerem coisas como: “Creio no poder de Deus pela fé”. Entretanto, muitos autores do Antigo Testamento consideraram mais convincente dizer coisas como: “Deus mostrou seu poder ao libertar nossa nação inteira da escravidão”. E isto não nos deveria surpreender. Afinal de contas, as manifestações externas do poder de Deus no Êxodo eram tão irrefutáveis que até os incrédulos egípcios estavam convencidos.
Com esta compreensão do poder ilimitado de Deus em mente, devemos fazer uma pausa para mencionar que há certas coisas que Deus não pode ou não quer fazer, apesar do seu poder ilimitado. Especificamente, a natureza do Pai governa tudo o que Ele faz. Como resultado, Ele nunca fará nada que seja contrário à sua natureza.
Natureza é um termo amplo que inclui tanto atributos essenciais como pessoais. Poderíamos definir isto como Seu caráter fundamental ou o aspecto central do Seu ser. No caso do Pai, sua natureza inclui não só Seu ser e Seu caráter, mas também suas relações com os demais membros da Trindade. E a natureza do Pai é absolutamente imutável e inalterável, de modo que sempre o levará a exercer Seu poder de forma semelhante. Tiago capítulo 1, versículo 17 fala da qualidade inalterável da natureza de Deus desta maneira:
[o] Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.
A natureza do Pai não limita sua capacidade de fazer coisas que sejam compatíveis com sua natureza. Mas, garante que Ele só exercerá seu poder onipotente de forma que seja consistente com seus atributos. Por exemplo, Ele nunca deixará de ser eterno. Nunca revogará sua autoridade sobre o Filho e sobre o Espírito Santo. Nunca fará nada pecaminoso. E Ele sempre cumprirá suas promessas.
Um dos fatores do surgimento da ciência moderna foi o reconhecimento de que Deus opera hoje da mesma maneira que operou antes. Já que neste mundo o animismo tem a crença de que há muitos deuses e que os deuses residem nos elementos deste mundo, a crença de que Deus é totalmente imprevisível, e se Deus é totalmente imprevisível, não seria possível estudar este mundo porque não se saberia se ele agirá de uma maneira hoje e amanhã de outra maneira. Esta mesma crença da imutabilidade de Deus permitiu o surgimento da ciência moderna. Da mesma maneira que isto permitiu o surgimento da ciência moderna, também permite a segurança, o conforto e a tranqüilidade de um cristão em circunstâncias incertas. Não temos que entender tudo. Não temos que saber o que vem quando dobramos a esquina. Tudo o que temos que saber é que nosso Deus é totalmente suficiente para satisfazer todos e cada um dos desafios que enfrentamos, e que previsivelmente dirigirá a situação da mesma maneira que ele prometeu a Davi, a Abraão, a Adão, a Jesus e a Paulo – que Ele é confiável, que Ele é fiel, que Ele não é inconstante, que Ele não muda de um dia para o outro, e que Ele tem todo o poder em si mesmo para fazer frente a cada uma de nossas circunstâncias.
- Dr. J. Ligon Duncan III
Agora que já discutimos a natureza do poder ilimitado do Pai, devemos nos voltar a suas inigualáveis qualidades, tendo em conta que só Deus é onipotente.
Inigualável
Escutemos a forma como o poder incomparável de Deus em Isaías, capítulo 14, versículos 24 a 27:
Jurou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará. Quebrantarei a Assíria na minha terra e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte de Israel, e a sua carga se desvie dos ombros dele. Este é o desígnio que se formou concernente a toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?
Observemos que nesta passagem, a descrição de um poder ilimitado do Senhor é seguida por uma afirmação de que só Ele possui Onipotência. Não há ninguém que possa impedi-lo de fazer nada, ninguém que possa fazer voltar a Sua mão.
O fato de que o poder do Pai é inigualável flui naturalmente do fato de que só há um Deus verdadeiro. Certamente, se houvesse outro ser de infinito poder, o status de Deus como único Deus poderia ser questionado. Aliás, um ser de poder infinito poderia ser divino ou poderia fazer a si mesmo divino em virtude de seu próprio poder.
Isto é essencialmente o que Deus disse a Jó no capítulo 38 do livro que leva o seu nome, quando disse que Jó poderia justificar-se a si mesmo se ele pudesse primeiro fazer os mesmos feitos poderosos que Deus havia feito, como criar, ordenar e controlar providencialmente o universo.
Mas a realidade é que só Deus é verdadeiramente divino. E portanto, só Deus tem poder ilimitado.
Lamentavelmente, em nossos dias muitos cristãos bem intencionados negam que Deus é Todo-poderoso. Eles interpretam mal as Escrituras ao ensinar que o próprio Deus está fazendo tudo o que pode com sua criação. Mas a onipotência de Deus é um ensino maravilhosamente prático da Escritura. Quando o povo de Deus está em problemas, roga a ajuda de Deus porque sabem que Ele é capaz de salvá-los. Quando o mal parece estar controlando o mundo, podemos estar seguros de que Deus tem um poder absoluto sobre o mal. Sem fé na onipotência de Deus não temos nenhuma base para nossa confiança em que Deus derrotará seus inimigos, e que seus filhos receberão as bênçãos eternas que Ele tem prometido.
É impressionante pensar em toda a riqueza teológica que está imersa na frase Pai Todo-poderoso. Servimos a um Deus poderoso, pessoal e paternal que nos ama e cuida de nós de maneira assombrosa. E podemos está completamente seguros de que sua proteção nunca falhou porque sabemos que Ele em si mesmo nunca falhará. Ele será sempre nosso Criador, o Rei e Cabeça do lar. Sempre terá um ilimitado e inigualável poder. E Ele nunca vai mudar. Ele sempre estará pronto para nos salvar, e a salvação que Ele oferece é tão eterna como Ele é.
Até aqui, nesta lição temos explorado a natureza de nosso Trino Deus, e as características da pessoa divina conhecida como o Pai Todo-poderoso. Neste ponto, estamos prontos para voltar a tratar do nosso terceiro tema: o papel do Pai como o Criador do céu e da terra.
CRIADOR
Nossa discussão do Pai como Criador do céu e da terra se concentrará em três facetas de seu trabalho criador. Em primeiro lugar, vamos considerar a obra da criação do Pai. Em segundo lugar, nos concentraremos na bondade da criação. E em terceiro lugar, vamos mencionar Sua autoridade sobre a criação. Comecemos pensando na obra da criação que o Pai realizou.
A Obra da Criação
A criação é a única obra que o Credo Apostólico atribui especificamente ao Pai. Recordemos que é o primeiro artigo de fé declarado:
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra.
De todas as coisas que a Escritura diz que o Pai faz, esta é a obra que o Cristianismo histórico tem insistido em que todos os cristãos afirmem.
A maioria dos cristãos está familiarizada com a ideia de que Deus criou e sustenta o universo, em grande parte porque as Escrituras mencionam isso com freqüência. De fato, se abrirmos nossas Bíblias na primeira página e começarmos a ler, a primeira coisa que se nos diz é que Deus é o Criador do céu e da terra. Como vemos em Gênesis capítulo 1, versículo 1:
No princípio criou Deus o céu e a terra.
Depois deste versículo de introdução, o resto de Gênesis capítulo 1, explica que Deus criou e ordenou o universo no espaço de seis dias.
Agora, ao longo da história da igreja, tem havido muitas teorias diferentes sobre a interpretação do relato da criação em Gênesis capítulo 1. Quase todos os teólogos têm concordado que Deus criou o universo ex nihilo ou do nada. Ou seja, antes que Deus criasse os céus e a terra, nada existia, exceto Deus mesmo. Não havia matéria pré-existente da qual Deus fez o universo. E muitos têm sugerido inclusive, que Deus criou o tempo e o espaço.
Porém os teólogos, geralmente, discordam sobre a maneira precisa como o Pai criou o universo, especialmente sobre a natureza dos seis dias da criação. Vários pais da igreja, como Clemente, Orígenes e Agostinho, criam que os dias eram representações figurativas de uma criação que provavelmente teve lugar num só momento. Outros, como Irineu e Tertuliano, viam como dias de 24 horas. Mais tarde, quando a ciência começou a sugerir que o universo é muito antigo, muitos teólogos começaram a interpretar o relato da criação de diferentes maneiras. Alguns sugeriram que os dias eram dias normais, períodos de 24 horas, mas que havia grandes intervalos de tempo entre os dias nos quais Deus criou. Outros interpretaram os dias como figuras de expressão que representam as eras ou épocas.
Certamente, a questão dos dias da criação em Gênesis, capítulo 1, é um dos pontos que tem sido a fonte de uma grande quantidade de argumentos. Creio que uma das perguntas é: Que tipo de literatura é esta? É literatura que está destinada a dar um efeito sensorial, fatos relacionados com os sentidos, ou é literatura destinada a ensinar um fato espiritual? Não devemos, entretanto, abrir uma brecha entre esses dois aspectos. Deus é o criador deste mundo e estes aspectos devem corresponder entre si. Mas se lermos Gênesis 1, como um texto cientifico, isso nos levará a uma interpretação diferente do que se lermos como uma discussão do significado e da natureza da criação.
- Dr. John Oswalt
Para a igreja primitiva e seu uso do Credo Apostólico, o que parece haver sido mais importante era que os crentes reconhecessem que Deus e só Deus, dirigido pela pessoa do Pai, criou e sustenta o universo inteiro, incluindo tanto o espiritual como o material, com todas as suas substâncias e as criaturas. Esta é a mesma ideia que os levitas enfatizaram em Neemias capítulo 9, versículo 6. Escutemos suas palavras:
Tu só és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há; e tu os guardas em vida a todos, e o exército dos céus te adora.
Como podemos ver, Deus sozinho fez o universo. E só Deus continua dando vida a tudo o que existe, sustentando todo o universo que ele criou.
É importante assinalar que apesar de que o Pai teve um papel relevante na elaboração e na manutenção dos céus e da terra, estes atos envolvem a Trindade inteira de diversas maneiras. Por exemplo, o Filho é o meio ou instrumento que o Pai utilizou para fazer o mundo, e que ainda utiliza para sustentá-lo. Escutemos a maneira como Paulo descreveu a obra da criação em 1 Coríntios, capítulo 8, versículo 6:
Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.
Aqui, Paulo explicou que o Pai é a fonte da criação. A criação procede dele. Mas, veio por meio do Filho. Continuamos vivendo porque o Pai sustenta nossas vidas através do Filho.
A participação do Espírito Santo é mencionada menos explicitamente nas Escrituras. Em primeiro lugar está implícito em passagens do Antigo Testamento que se referem à obra do Espírito de Deus. Durante os dias do Antigo Testamento, o Espírito Santo não se havia revelado claramente como uma pessoa diferente de Deus. Entretanto, o Novo Testamento ensina que já estava ativo no mundo, fazendo a vontade de Deus. Vemos isto em passagens como Marcos, capítulo 12, versículo 36 que fala do Espírito Santo, inspirando os autores do Antigo Testamento, e Atos, capítulo 2, versículos 2 a 17, onde Pedro ensinou que o Espírito Santo foi a fonte da profecia e dos dons espirituais inclusive no Antigo Testamento.
Assim, quando lemos no Antigo Testamento os relatos do Espírito de Deus, é razoável inferir que eles anunciaram a clara revelação de que o Espírito Santo é uma pessoa divina distinta. Por exemplo, Em Gênesis, capítulo 1, versículos 2 e 3, lemos este relato:
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz.
As palavras Espírito de Deus, literalmente, se referem a Deus em todas as suas pessoas. Porém, a partir da perspectiva do Novo Testamento, podemos ver uma ênfase na atividade da pessoa do Espírito Santo.
Depois de examinar o papel do Pai como criador na obra da criação, estamos prontos para nos concentrar na bondade da criação que o Pai fez.
A Bondade da Criação
Muitas religiões e filosofias ensinam que o universo material é amoral, ou seja, nem bom nem mal. Outros dizem que na realidade, o mundo é mal. Por exemplo, muitas das filosofias pagãs com as que a igreja primitiva tropeçou, ensinavam que o universo material era mal, e que para ser verdadeiramente salvos os seres humanos tinham que escapar da escravidão dos corpos. Esta visão negativa do mundo foi uma das razões pelas quais o Credo Apostólico enfatizou que Deus fez os céus e a terra. Na Bíblia, o universo é a criação boa de Deus que reflete seu bom caráter.
Em Gênesis capítulo 1 somos lembrados sete vezes da bondade da criação nos versículos 4. 10, 12, 18, 21, 25 e 31. E no último destes, a Escritura diz que a criação inteira não só era “boa”, mas era muito boa. Como Moisés escreveu em Gênesis, capítulo 1, versículo 31:
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã: o dia sexto.
Lamentavelmente, pouco depois de Deus criar o mundo, Adão e Eva pecaram contra Deus ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. E como resultado do pecado da humanidade, Deus pois a criação inteira sob uma maldição.
Um texto que fala disto é Gênesis, capítulo 3, versículos 17 a 19, onde Deus declarou essa maldição a Adão:
E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.
Por causa do pecado de Adão, Deus amaldiçoou a terra de modo que a agricultura se tornou difícil, o que obrigou a Adão e o resto da humanidade a trabalhar duro para obter alimentos.
E esta maldição sobre a terra não se limitava à agricultura. Afetou a todo o mundo em todos os aspectos. Paulo escreveu acerca deste problema em Romanos capítulo 8, quando argumentou que a redenção dos crentes em Cristo Jesus finalmente conduziria a uma restauração da própria criação. Escutemos o que Paulo escreveu em Romanos, capítulo 8, versículos 20 a 22.
Pois a criação está sujeita à vaidade... a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção... Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.
Paulo ensinou que a maldição da terra afetou cada elemento da criação.
Mas apesar da maldição de Deus, não devemos cometer o erro de pensar que a criação já não é boa. Sim, a queda da humanidade no pecado danificou a criação. Mas, ela continua sendo o mundo de Deus, e ainda é fundamentalmente boa. Paulo disse isso quando estava escrevendo acerca da validade permanente do matrimonio, e da liberdade que os cristãos têm de comer toda espécie de alimentos. Escutemos as palavras de 1 Timóteo 4.4:
...pois tudo que Deus criou é bom...
Notemos o que Paulo disse aqui. Ele não disse que tudo o que foi criado “foi” bom, mas que tudo o que Deus criou “é” bom.
O fato de que o mundo físico é bom – que Deus declarou bom – tem muitas conseqüências práticas para nós. Por um lado, temos que proteger o meio ambiente. Somos mordomos desta criação. Por outro lado, em última instância, Deus vai preservar esta criação. Ele vai criar, vai realizar a restauração da criação, em lugar da destruição da criação. Vamos viver para sempre em novo céu e uma nova terra. O mundo físico que Deus criou é bom. Nossos corpos físicos – nossa presença física – é algo bom.
- Dr. Mark Strauss
Portanto, se estamos falando de matrimônio ou de comida, ou de qualquer outra coisa criada por Deus, podemos estar seguros de que é bom, porque o Pai que os criou é bom. Esta é a razão pela qual Paulo também diz em Romanos, capítulo 1, que a bondade de Deus é ainda visível a toda a humanidade através das coisas que foram criadas. É por isso, que o Salmo 19 pode afirmar que os céus manifestam a glória de Deus.
John Wesley descreveu a bondade da criação em sua obra do século 18 Estudo da Sabedoria de Deus na Criação, parte 3, capítulo 2, dizendo:
O universo inteiro é uma fotografia, na qual se mostram as perfeições da Deidade. Demonstra não só sua existência, mas também sua unidade, seu poder, sua sabedoria, sua independência, sua bondade.
O universo mostra a bondade de Deus através de sua própria bondade inata, uma bondade que só possui porque foi criada por um Deus bom.
A criação de Deus reflete sua bondade. Nos diz em primeiro lugar que a criação não é mal em si mesma, o mal não existe de maneira inerente na matéria. Mas também nos diz que quando Deus criou o mundo, o criou muito bom. Que há beleza na criação. Porém essa beleza é desfigurada como conseqüência da queda. Espinhos e cardos e o suor do rosto, hão distorcido a criação de Deus, mas como cristãos, temos começado o processo, ou Deus começou o processo dentro de nós de voltar a nos criar. Somos uma nova criação em Jesus Cristo e como o escritor de hinos disse: como cristãos vemos algo que os olhos sem Cristo nunca viram. Começamos a ver a criação como obra de Deus. Portanto, como cristãos, vemos arte, beleza, estrutura, coerência, integração dentro da própria criação. E isto é o que esperamos no novo céu e na nova terra, quando a criação de Deus for feita totalmente nova e pudermos desfrutar da criação como Deus quis que dela desfrutássemos.
- Dr. Derek W. H. Thomas
Com esta compreensão da obra da criação e da bondade da criação em mente, estamos prontos para ver a autoridade sobre a criação que o Pai possui como seu criador.
Autoridade Sobre a Criação
Há muitas coisas que podemos dizer acerca da autoridade do Pai como criador. Mas nos enfocaremos somente em três características básicas: É absoluta, é exclusiva e é exaustiva. Vamos dar uma olhada mais acurada a cada uma destas ideias. Comecemos com a natureza absoluta da autoridade do Pai como Criador.
Absoluta
A autoridade do Pai é absoluta no sentido de que Ele é completamente livre para fazer o que quiser com sua criação. A Escritura freqüentemente compara sua autoridade absoluta com a autoridade que um oleiro tem sobre o barro. Podemos encontrar esta descrição em passagens como Isaías capítulo 29, versículo 16; Isaías, capítulo 45, versículo 9; Jeremias capítulo 18, versículos 1 a 10 e Romanos capítulo 9, versículos 18 a 24. Ouçamos em que sentido o Apóstolo Paulo falou da autoridade de Deus em Romanos, capítulo 9, versículos 20 e 21:
Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?
É claro que as respostas às perguntas retóricas de Paulo são óbvias, porque Deus é o Criador de tudo, ele tem a liberdade e o poder de fazer o que ele quiser com as coisas que Ele criou.
Creio que quando algumas pessoas ouvem que a Bíblia ensina que Deus tem a autoridade final sobre tudo o que sucede no mundo, talvez se sintam ameaçadas porque se sentem ressentidas. Mas os cristãos quando pensam em que Deus é, devem se sentir mui agradecidos. Isto significa que nossas vidas estão nas mãos de um sábio, todo-poderoso, Pai amoroso que entregou Seu Filho por nós na cruz. E isso é incrivelmente confortante em tempos de sofrimento, em tempos quando nos perguntamos o que está acontecendo com nossas vidas.
- Dr. Dennis Johnson
Mesmo quando não entendemos todas as coisas que estão acontecendo, se pertencemos a Jesus Cristo, Deus é nosso Pai e Ele nos ama. Ele nos protege e esta cuidando de nós qualquer que seja a situação que estejamos passando. Algumas coisas pelas quais passamos nesta vida são incrivelmente dolorosas. Mas, Ele está no controle. Podemos aceitar isso nesses momentos da nossa vida? Ele designou isso para nosso bem, para nossa santificação. Deus toma os inimigos de nossas vidas, e os converte em nossos amigos para que sejamos mais que vencedores naquele que nos amou. Não somos só vencedores, o texto diz que somos mais que vencedores por meio dEle que nos amou. Portanto, Deus toma as provas e as dificuldades e as usa para nos santificar, para nos fazer semelhantes a Jesus Cristo. Hebreus capítulo 12: Ele nos disciplina como um terno e sábio Pai. Creio que a luta da fé com freqüência se desenvolve exatamente neste ponto. Temos que dizer a nós mesmos de vez em quando: “Deus... Deus cuida de mim e ainda que eu não entenda Ele está trazendo isso em minha vida para meu bem, para minha santidade, para minha santificação.
- Dr. Tom Schreiner
Além de ter autoridade absoluta, o Pai também tem autoridade exclusiva sobre tudo o que criou.
Exclusiva
A autoridade do Pai como criador é exclusiva no sentido de que nenhuma criatura possui autoridade absoluta. A autoridade absoluta pertence só ao Criador, e Deus é o único criador.
E, além disso, quando vemos a Trindade econômica, o Pai também tem autoridade sobre as demais pessoas da Trindade. Por exemplo, escutemos as palavras de Jesus em João, capítulo 5, versículos 26 e 27:
Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.
Jesus ensinou que sua autoridade para julgar o mundo havia sido delegada a ele pelo Pai. Esta autoridade em última instância reside no Pai, e era sua prerrogativa exclusiva. Mas o Pai nomeou ao Filho para julgar em Seu nome. Encontramos uma ideia similar em 1 Coríntios, capítulo 15, versículo 24, onde a realeza de Jesus sobre o universo está subordinada a um reinado maior do Pai.
E algo similar sucede com o Espírito Santo também. Passagens como João, capítulo 16, versículo 13; Romanos, capítulo 8, versículo 11; e 1 Pedro, capítulo 1, versículo 2, ensinam que o Espírito Santo também faz a vontade do Pai.
E assim como a autoridade do Filho e a autoridade do Espírito são delegadas pelo Pai, a autoridade dos seres criados também é delegada. Os anjos, os governantes terrenos, e inclusive os seres humanos em geral tem uma medida de autoridade. Mas, todos estes tipos de autoridade são delegados por Deus. Assim, a autoridade do Pai é sempre superior à autoridade das criaturas.
Além de contar com a absoluta e exclusiva autoridade, o Pai também tem autoridade exaustiva sobre o universo.
Exaustiva
Quando dizemos que a autoridade de Deus é exaustiva, nos referimos ao fato de que ela se estende a tudo o que Ele criou, em cada detalhe. E há pelo menos duas importantes conseqüências deste fato. Em primeiro lugar, todos estão debaixo da autoridade de Deus. Não há pessoa ou outra coisa criada que esteja livre da obrigação de obedecer a Deus.
Os anjos e os seres humanos que são fiéis ao Pai reconhecem e se submetem voluntariamente a Ele. Mas, os demônios e os seres humanos infiéis se rebelam contra Ele e não se submetem às suas ordens. Ainda assim, os juízos morais do Pai afetam a todos. Sem importar onde vivemos, o que somos, e sem importar nossa cultura ou religião, somos todos responsáveis ante Deus.
Segundo: tudo está debaixo da autoridade de Deus. Sua autoridade se estende a cada detalhe do que Ele criou.
Porque Deus criou todas as coisas, nenhum aspecto da criação é moralmente neutro. Ele criou tudo com um propósito e atribuiu a cada coisa um caráter moral. Isto significa que não importa o assunto, não importa a imagem, não há neutralidade moral. Tudo na criação, ou funciona como Deus quer que seja, e por isso é bom, ou se rebela contra Ele e, portanto, é mal.
No mundo moderno, muitos cristãos são prontos para dividir a vida entre as coisas que são sagradas e as que são seculares. A maioria das coisas que consideramos sagradas como a igreja, a adoração, o evangelismo e os estudos bíblicos estão debaixo da autoridade de Deus. Também nos esforçamos por obedecer aos mandamentos de Deus em nossas famílias e tomar decisões éticas, tratando-as como sagradas também. Porém muitos cristãos tendem a pensar que os mandamentos de Deus não governam as coisas que chamamos seculares como a política, a educação e o trabalho. Mas, esta moderna distinção entre o mundo sagrado e o mundo secular não é bíblica. Passagens como Provérbios capítulo 3, versículo 6; Eclesiastes, capítulo 12, versículo 14; e 2 Timóteo, capítulo 3, versículos 16 e 17, nos indicam que Deus falou acerca de cada área da vida humana, e que sua autoridade se estende a tudo o que fazemos.
Em um mundo onde a autoridade é vista em termos negativos, a autoridade de Deus é uma grande oportunidade para os cristãos crerem que porque Deus continua amando este mundo, Ele segue no controle, e conhece o início e o fim. Ele é quem julgará a toda a humanidade. E isso deveria nos fazer sentir bem porque podemos está seguros que alguém sabe o que está fazendo. Essa é nossa confiança e segurança para o futuro.
CONCLUSÃO
Nesta lição, de Deus o Pai, estudamos muito de perto o primeiro artigo de fé do Credo Apostólico. Discutimos o conceito de Deus que está implícito neste artigo. Falamos do Pai Todo-poderoso como a primeira pessoa da divindade. E exploramos o papel do Pai como o Criador do céu e da terra.
Entender a pessoa de Deus, o Pai, é fundamental para a teologia cristã. Se não conhecemos e adoramos ao verdadeiro trino Deus da Escritura, estaremos adorando a um deus falso. E reconhecer e honrar a pessoa que as Escrituras chamam de “o Pai”, é uma parte crucial da verdadeira adoração. O Pai é o único a quem o Filho e o Espírito Santo obedecem e honram – a única coisa pela qual trabalham é incrementar sua glória. Assim, Ele deveria ser o enfoque de nossa obediência, honra e glória também.
